terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O corpo

É massa e fluido, e sinto
e posso tocar também
Tem cheiro e gosto, e frio
calor e dor... e saudade

Carrega os sonhos, os medos
os pensamentos, as ideias
e os ideais, mentiras, verdades
e saudade...

Tem forma e cara, tem graça, 
coreografia no ventre ensaiada, 
tipo uma embalagem rotulada
que vai ganhando novas edições
se estampando em novas expressões

Tem fome e pede, afago
também um copo d'água ou um cigarro
um chocolate, álcool ou uma canção
que vai entrando e irrigando a alma
Energizando e prorrogando a vida
A música flui qual uma vitamina

É massa e pele, e ossos
e posso concentrar as impressões
Nos olhos, lábios ou nas reações
Que o corpo tem, ou pede ou não quer mais...

Partindo o Tempo

Partindo o petroleiro, leve
pra longe abastecendo
o sangue que corre nos carros
onde correm as pessoas
onde o sangue quase pára

O tempo parte, porque não se reparte
porque não se arrepende
o tempo não tem forma definida

Tem o navio que cruza o canal
forma e espaço, e quem o aguarda
em um cais qualquer no mundo

Tem  a janela que meus olhos atravessam
quadrada e exata, fixa
o tempo do navio partindo, ao fundo.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

TEORIA DAS CORDAS


E se a chuva voltasse a ser nuvem?
E se as estrelas voltassem a ser feitas de homens
e os homens feitos de estrelas?
E se o tempo voltasse?

Um minuto em algum lugar do passado,
Uma fatia do bolo do meu primeiro aniversário,
Um instante com seu olhar...
E tudo volta ao seu lugar!


O perfume que a flor, nunca mais vai exalar
Vozes que você nunca mais poderá escutar
O beijo que já secou... e os olhos que se fecharam
Mas nada disso é necessário amor
Nada tem mais valor
O que mais valeu a pena, a nossa última cena
Outra vez...

E se o arco-íris voltasse para os dedos de Deus?
E se os acordes voltassem para as cordas, do violino?
E se o tempo voltasse?

Um minuto em algum lugar do passado,
Uma fatia do bolo do meu primeiro aniversário,
Um instante com seu olhar...
E tudo volta ao seu lugar!

Julho de 2012


PAUSA

Parei o tempo de me preocupar com nada
Nada que me fizesse bem
Parei as horas que me deixavam distante
Daquilo que eu quero ser

Nada que eu faça
Me afasta dos seus olhos
Mas é que, há horas em que é preciso
Parar

Então eu paro, então eu vôo
Em devaneios, loucos, sem orientação
Sonho acordada
Eu canto uma canção...

Daí te vejo, belo, tão belo!
O sonho que me abraça
E só me lembra
Daquela que um dia eu fui...

2005

COSMONAUTA

Desde muito tempo
Eu venho te esperando
Eu venho espalhando
Mensagens perdidas no ar

Ah, eu te conheço
Há 20.000 anos
Eu fiz tantos planos
Esperando sua nave chegar

Você deve, ser feito de estrelas
Deve ser de outro planeta
Deve ter asas nos pés
e olhos no coração

Talvez sempre esteve aqui
Do meu lado
Aqui dentro
Você deve ser de outro lugar...

Você não é daqui!
Você é igual a mim
Não somos iguais ao Mundo
Somos bem mais!


Você deve, ser feito de estrelas
Deve ser de outro planeta
Deve ter asas nos pés
e olhos no coração...

2006

SUPERNOVA

O amor está além do corpo
das horas
dos dias
das regras
O amor não erra...

O amor está além da paz e da guerra.

O amor toma várias formas, várias faces e dissimulações
não teme fogo
nem medo
nem vazio
O amor é alheio ao calor e ao frio.

O amor é música, é éter, é vento
É o quasar que desafia o tempo
Energia que explode e se renova

O amor é uma supernova...

Julho'12



"Supernova é um fenômeno astronômico. É uma estrela, das grandes, que já não suporta mais sua própria energia. Então ela entra em colapso, explode, toma outra forma. E como toda matéria ela não deixa de existir, nunca, apenas muda de formato e de função..."

ELEFANTES


Quando eu era humano
Um dia eu fui mortal
Eu nunca matei ninguém
Eu rezava, eu amava
Eu sonhava
Eu era bem legal

Quando eu era um elefante
Eu pesava muito, eu guardava tudo
Minha memória era sobrenatural
Um dia eu fui mortal
E eu morri por um pedaço de marfim

Eu acho que não há muita diferença
Entre ter uma tromba, ou um cigarro
Se eu posso ter mais
Do que eu preciso ter
Se eu posso ser mais
Do que eu sou capaz de ser

Quando eu era um cigano
Eu percorria o mundo todo
Na palma da tua mão
Eu era livre, eu enfeitiçava o luar
Eu roubava as virgens nas cidades
Eu era assim

Eu não vejo muita diferença
Entre ter um punhal e muitas leis
Se ciganos fossem reis
Não haveria muros nos impérios

Se ciganos fossem reis
Não haveria muros
Não haveria muros
Nos impérios.

Set’ 04